sábado, 31 de janeiro de 2015

Motocicletas e acidentes em crianças

Traumas decorrentes de acidentes motociclisticos tem se tornado frequentes e são uma importante causa de morbi-mortalidade em crianças no mundo todo, principalmente em países subdesenvolvidos, contribuindo para importantes sequelados funcionais e sociais para a criança e família levando a custos altos para o Estado. Nesse sentido, foi realizado uma pesquisa pela Residente Multiprofissional Juliana Amaral em um Hospital de Urgência e Emergência no estado do Pará, buscando traçar o perfil clínico e epidemiológico de crianças internadas vítimas de acidente de moto no período de 2010-2013 no Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência através de busca de prontuários no DAME do referido hospital, sendo encontrado 316 prontuários de crianças envolvendo motos no período que representaram 66,95% dos traumas em crianças atendidas no período. Destes, 51,89% das crianças (164) eram pedestres, 44,62% estavam na motocicleta como condutores ou passageiros (141) e 3,48% eram ciclistas (11).
Houve uma predominância de crianças do sexo masculino (62,66%) e as idades que mais foram acometidas foram 14 anos (11,39%), 2 anos (10,76%) e 4 anos (9,81%), não havendo predomínio para um mês do ano especificamente.
Observou-se que ao longo dos anos, ocorreu um decréscimo no número de acidentes porém aumentando significativamente em 2013 (2010: 94 acidentes, 2011: 57 acidentes, 2012: 47 acidentes e 2013: 118 acidentes).
Como o hospital recebe muitos pacientes de outras regiões do estado, foi detectado que 69,31% das crianças eram do interior do estado, que vieram para Belém em busca de tratamento especializado.
A cabeça e membros inferiores foram as estruturas lesadas, provocando TCE e fraturas. 30,69% das crianças tiveram algum tipo de complicação, a maior parte relacionada ao sistema respiratório. 21,2% necessitaram de internação em UTI e 12,07% de ventilação mecânica.
Uma coisa que chamou atenção é que pouco mais de 25% das crianças internadas precisaram de suporte fisioterapêutico e que o tempo médio de internação foi de 9,74 dias e apenas 2,85% evoluíram a óbito.
O tempo de decorrido entre o acidente e o atendimento inicial pode ter contribuído para o percentual de complicações, uma vez que as distâncias do interior do estado até a capital são grandes e muitas vezes a viagem é feita de barco, sendo muito demoradas.
É importante destacar que em muitos casos a fisioterapia só é chamada depois que as complicações estão instaladas, e que se fosse acionada precocemente, poderia contribuir para sua não instalação.
Campanhas educativas e fiscalização devem ser feitas pelos órgãos competentes para diminuir esses acidentes principalmente para a população do interior do estado.

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