quinta-feira, 28 de maio de 2015

Humanização em saúde : afinal o que é isso?

Muito se tem falado sob é esse tema. Mas afinal o que significa humanizar o atendimento em saúde?
As Diretrizes Curriculares Nacionais das 14 profissões da saúde colocam como perfil do egresso um profissional generalista, humanista, crítico e reflexivo. Humanista é aquele que segue o humanismo, movimento surgido na Europa que coloca o homem no centro  de todas as coisas do universo.
Ser humanista ao contrário do que muitos pensam, não é tratar bem o outro. Não é ter um bom coração. Isso independe da maneira como encaramos o homem no mundo.
A humanização em saúde surgiu para contrapor ao afastamento do homem como elemento central do processo de saúde devido a super-especialização das profissões da saúde e ao uso de tecnologia cada vez mais especializada pelos profissionais.
Humanização implica em mudanças na gestão dos sistemas de saúde e dos seus serviços para fornecer um melhor atendimento aos beneficiários e melhores condições para os trabalhadores. 
Em 2003 o governo lança o HumanizaSUS com três macro-objetivos: a) Ampliar as ofertas da Política Nacional de Humanização aos gestores e aos conselhos de saúde, priorizando a atenção básica/fundamental e hospitalar, com ênfase nos hospitais de urgência e universitários; b) Incentivar a inserção da valorização dos trabalhadores do SUS na agenda dos gestores, dos conselhos de saúde e das organizações da sociedade civil; c) Divulgar a Política Nacional de Humanização e ampliar os processos de formação e produção de conhecimento em articulação com movimentos sociais e instituições.
Em 2004 lança a Política Nacional de Humanização (PNH) cujos objetivos são: a) Contagiar trabalhadores, gestores e usuários do SUS com os princípios e as diretrizes da humanização; b) Fortalecer iniciativas de humanização existentes; c) Desenvolver tecnologias relacionais e de compartilhamento das práticas de gestão e de atenção; d) Aprimorar, ofertar e divulgar estratégias e metodologias de apoio a mudanças sustentáveis dos modelos de atenção e de gestão; e) Implementar processos de acompanhamento e avaliação, ressaltando saberes gerados no SUS e experiências coletivas bem-sucedidas.
Na prática, os resultados que a Política Nacional de Humanização busca são:
Redução de filas e do tempo de espera, com ampliação do acesso;
Atendimento acolhedor e resolutivo baseado em critérios de risco;
Implantação de modelo de atenção com responsabilização e vínculo;
Garantia dos direitos dos usuários;
Valorização do trabalho na saúde;
Gestão participativa nos serviços.
Estamos longe de atingir isto. Se por um lado a população reclama das filas e na demora para o atendimento, por outro os profissionais sofrem com a falta de condições para atender de forma adequada a população e os serviços permanecem sem as condições mínimas para dar atendimento acolhedor, reduzir as filas e o tempo de espera garantindo os direitos dos usuários. 
Para atingirmos realmente uma humanização no atendimento em saúde, precisamos antes de tudo humanizar o profissional, cujo caráter humano foi perdido ao longo do tempo. Mudar a formação é o passo inicial. Garantir a permanência desta formação é o segundo.